terça-feira, 11 de setembro de 2012

‘Diário de Classe’ prova que alunos podem ajudar a melhorar escolas


Muito se fala dos problemas que as escolas públicas enfrentam, como prédios mal conservados e alunos e professores pouco envolvidos com o projeto pedagógico. São tantos e se perpetuaram de tal forma, que acabaram sendo incorporados como estado natural das coisas.

Essa visão da educação pública pulverizou a ideia de que há um problema, não havendo mais incômodo – primeiro passo para que mudanças ocorram.

Felizmente nem todos sentem assim. Em Florianópolis, a adolescente Isadora Faber se incomodou e resolveu usar uma ferramenta muito popular para mostrar os problemas de sua escola – o facebook. Criou um espaço em sua página, o ‘Diário de Classe’, para esse fim.

Não é que deu certo? Sua atitude mexeu com a vaidade dos profissionais envolvidos, que não gostaram muito. Ela tirou a poeira debaixo do tapete e isso quer dizer que eles vão precisar tomar uma atitude. Não sabemos se estão dispostos a isso. Eles se revoltaram e tentaram reprimir sua ação.

Porém, Isadora agiu de maneira bastante madura. Ao invés de gritar, espernear e fazer ataques agressivos, ajudando a depredar ainda mais a escola, simplesmente apontou o que não estava bom. Por exemplo, no primeiro bimestre ela não teve nota de inglês por falta de professor e colocou isso em sua página. Também não se esqueceu de mostrar as conquistas.

Mas o mais interessante é não ter colocado os alunos na situação de vítima. Pelo contrário, responsabilizou-os pelos danos físicos encontrados no prédio. O que tem grande chance de mobilizá-los para que hajam de maneira diferente. Surte mais efeito a crítica de um adolescente para outro, do que aquela feita por uma figura de autoridade. Principalmente nessa fase, em que a oposição dá o tom ao comportamento dos jovens.

Além do mais, usou de um recurso típico deles, uma rede social. Não houve decretos e reuniões enfadonhas a respeito do assunto. Usando uma linguagem ágil, chamou a todos para o que estava acontecendo.

Fica a dica para as escolas como sendo um modo de mobilização para a resolução de seus problemas – desde que, é claro, queiram vê-los e resolvê-los. Quando os alunos trazem os problemas e são convocados a ajudarem, participando ativamente, as coisas podem dar certo. Estimula-se, neles, o desenvolvimento da responsabilidade e do compromisso com o mundo.

É preciso, no entanto, o envolvimento das autoridades. Elas precisam tomar a frente. No caso da escola de Isadora, que não passe apenas de um fogo de palha devido à repercussão que seu diário de classe alcançou.

Fonte: Ana Cássia Maturano (g1.globo.com)


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